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Folha de São Paulo

 

    Matéria publicada no caderno – Folha equilíbrio – do Jornal Folha de São Paulo em 13 de dezembro de 2001.

 

    Terapeuta aplica watsu em garotos da Febem

 

    O terapeuta e educador Fernando Furuiti, 52, é um dos fundadores da Escola Takeda de Natação, Hidroterapia e Watsu, em São Paulo. O lugar é conhecido por ter um dos melhores times de terapeutas corporais do país. Fernando já abriu a casa, ou melhor, a piscina para receber jovens da favela Monte Azul, e a experiência foi tão boa que ele e sua equipe decidiram repetir a dose. Dessa vez, os convidados foram jovens em liberdade assistida da Febem e seus educadores, da Associação Comunitária e Beneficente Padre José Augusto Machado Moreira.

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    O watsu, terapia oriental pouco conhecida, é feito dentro da água quase pelando, aquecida a temperatura de 35 graus, e a posição em que o aluno fica é a de amamentação. A experiência é muito intensa tanto para quem aplica como para quem recebe. “A gente alonga, torce, massageia e faz carinho. Isso faz brotar coisas registradas no corpo que só a pessoa conhece. É uma terapia silenciosa”, diz Furuiti.

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    Antes de levar os meninos para a sessão na piscina, o terapeuta exibiu um vídeo mostrando como a terapia funciona. Tanto contato físico, colo e abraço deixaram a turma com o pé atrás. Mesmo assim, muitos aceitaram o convite. Antes de entrar na água, todos deram as mãos, falaram o nome e o que mais amavam. Alguns, apesar de não conhecerem os pais, disseram “eu amo a minha família”.

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    Não demorou muito, e todo mundo relaxou. A sessão durou uma hora. “Dormi na maior parte do tempo. Fiquei imaginando como seria estar no colo da minha mãe e não consegui, senti um vazio. Depois, no colo da terapeuta, eu me senti tão bem e pensei como o homem pode saber tanta coisa boa e, mesmo assim, fazer guerra”, diz Denílson, 17. “Minha mãe sempre me diz que, quando eu for mãe, vou entender certas coisas. Hoje, o Adilson fez com que eu me sentisse mãe, não queira me separar dele no fim da sessão”, diz a terapeuta Andréa Rapozo, 22.

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    Para um dos psicólogos responsáveis pelo atendimento aos meninos e que também recebeu a massagem, esse trabalho é super bem-vindo no processo de educação dos ex-internos. “Não fazemos trabalho de reinserção social porque eles nunca estiveram inseridos no sistema. É preciso educar e formar. Não estamos recuperando ninguém, porque ninguém é doente. Doente é o sistema que o coloca nessa situação.”

 

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